Casa arrumada é assim

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.

Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas…
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida…

Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.

Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.

Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.

Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto…

Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos…
Netos, pros vizinhos…
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.

Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias…
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…
E reconhecer nela o seu lugar.

Carlos Drummond de Andrade

Comprei um apê… e agora?

Eis que um dia você está andando pelo shopping e um corretor de imóveis te aborda e oferece um apartamento na planta! Ou você para seu carro no sinal vermelho do semáforo e recebe um panfleto com condições imperdíveis para realizar o sonho da casa própria!

Essas são cenas familiares para uma boa parcela da população. A facilidade dos financiamentos imobiliários nos últimos anos incitou um boom no mercado da construção civil, especialmente no nicho de apartamentos de até 50m².

Aí chega a tão esperada hora! Depois de mais ou menos dois anos pagando fielmente as prestações, você é convidado (a) a fazer a vistoria do seu apartamento pra ter a merecida entrega das chaves.

Esse momento de alegria precisa ser conduzido com muita sobriedade, para que o sonho não vire um pesadelo. O primeiro contato com seu novo apê é justamente aquele em que o seu olhar tem que estar, mais do que nunca, voltado para TODOS os detalhes. Não dá pra ficar inebriado (a) a ponto de não se atentar para detalhes mínimos e perceptíveis durante a vistoria com o técnico da construtora.

Esse é o tipo de serviço que eu já prestei, mas hoje eu prefiro instruir meus leitores e seguidores para que eles mesmo possam fazer essa vistoria. Eu prefiro entrar apenas na fase do projeto, pra pensar o uso do espaço junto com a família que vai ocupar aquele lugar, adequando a necessidade à realidade, principalmente a financeira.

Bom, então vamos a algumas dicas para se atentar no momento da sua vistoria. Lembrando que o checklist serve não apenas para apartamentos novos, mas também para imóveis usados. Nestes casos alguns problemas são mais facilmente identificáveis, por se tratar de ocupação consolidada e que, portanto, expõe mais os problemas do imóvel.

Itens gerais a serem verificados:

– Infiltrações vindas dos vizinhos: em apartamentos novos este item não se aplica pelo simples fato de não ter ninguém morando no prédio! Apenas o uso cotidiano do apartamento vai dar indícios desse tipo de defeito. Mas em apartamentos já habitados, verifique sinais na laje de possíveis infiltrações ou vazamentos, especialmente nas áreas úmidas, como cozinha, área de serviço e banheiros. Em geral são manchas amareladas e que ocasionam o estufamento da pintura.

– Quadro de energia: verifique o posicionamento dos disjuntores, se estão bem encaixados e se correspondem aos circuitos indicados no Manual do Proprietário. Em apartamentos pequenos os circuitos costumam ser simplificados, sendo um disjuntor para o chuveiro, outro para o micro-ondas, um para circuito de iluminação e outro para tomadas de uso geral.

– Campainha e interfone: em muitos casos a energia do prédio ainda não estará ligada, então nem sempre é possível testar estes itens. Minha dica é que você faça esse apontamento na vistoria para que, futuramente, caso identifique algum problema, você esteja resguardado pelo fato de não ter sido possível realizar o teste.

– Registros de água: verificar todos os registros de água para identificar eventuais vazamentos. É sempre bom saber também a qual torneira ou conjuntos de torneiras o registro corresponde, caso preciso fazer manutenção no futuro ou até mesmo substituir as peças existentes por novos modelos.

– Garagem: se você ainda não descobriu onde é sua vaga de garagem, esse é o momento para conhecê-la! Principalmente para verificar eventuais interferências, como pilares, no caso de garagens situadas no subsolo ou sob pilotis.

– Medidas do imóvel: etapa fundamental! Parece loucura, não é? Pois saiba que eu já presenciei situações em que a medida da sacada estava 40cm menor que a prometida na planta. A depender da diferença encontrada, cabe recurso junto à construtora para ressarcimento de valores, uma vez que cada m² do seu apartamento é valioso. Embora o Código Civil preveja uma margem de tolerância de 5% para mais ou para menos, é o Código do Consumidor que vai regular essa relação de consumo, que nesse caso tende a beneficiar o comprador. Então leve uma trena para a sua vistoria e tire as medidas de cada ambiente (largura x comprimento) e faça a conferência com a planta que foi vendida pra você!

Itens a serem verificados em cada cômodo:

  1. Tomadas, interruptores e bocais.

Muito provavelmente você não vai conseguir testar os pontos de energia pelo mesmo motivo já indicado anteriormente. Mesmo em um apartamento usado que está sendo visitado para locação, por exemplo, via de regra a energia da unidade não estará ligada, uma vez que não tem ninguém morando. Mas você pode verificar se os pontos indicados em planta foram instalados corretamente, como número de tomadas em cada ambiente, ponto de antena de TV e telefone. E não se esqueça de deixar sempre documentado no laudo de vistoria que não foi possível testar a energia das tomadas e bocais das lâmpadas.

  1. Parede e teto

Nesses elementos é bom observar como está a qualidade da pintura (se for o caso) e também a planicidade da superfície. Um feixe de luz em mãos pode te ajudar a verificar como está o acabamento das paredes, e se há “barrigas” nelas, por exemplo. Já prestei consultoria para a decoração de uma sala em que o cliente ficou perturbado com as ondulações da parede quando instalou pontos de luz no teto. A iluminação direcionada mostra com mais intensidade os defeitos! Então leve sua lanterninha ou use essa função no seu smartphone.

  1. Portas e janelas

Abra e feche todas as portas e janelas, para garantir que estão correndo bem pelos trilhos (portas de correr e janelas), ou se não estão raspando no batente ou piso (portas de abrir). Teste as travas das janelas, as fechaduras e as maçanetas das portas. Verifique também o encaixe das guarnições, em muitos casos elas estão mal encaixadas ou não estão bem alinhadas. Verifique os vidros também para que nenhuma trinca ou mancha passem despercebidas.

  1. Pisos e revestimentos

Este é um dos itens que mais costuma dar mais dor de cabeça aos proprietários, pois, a depender do nível de qualidade da construtora, não será difícil encontrar pisos e azulejos ocos por baixo. A menos que você esteja certo de que vai trocar todo o piso do imóvel, siga à risca essas dicas: deixe a vergonha de lado e leve um cabo de vassoura para a sua vistoria! Isso mesmo! Teste piso por piso, batendo levemente sobre cada peça. Ao bater em um piso que está oco (portanto sem argamassa de assentamento), você vai saber distinguir sem muita dificuldade o defeito da peça. Leve um giz de cera pra marcar com um “x” sobre piso que precisa ser trocado.

O caimento do piso também é fundamental, especialmente nas áreas úmidas, como o banheiro, a cozinha e a área de serviço. Leve um galãozinho de água junto com você (de novo, repito, deixe a vergonha de lado) e jogue água nas áreas como o box do banheiro, para verificar se a água corre mesmo para o ralo. Não tem nada mais irritante que lavar o banheiro e a água escorrer para o sentido contrário, molhando a sala e os quartos.

  1. Louças e metais

Teste todas as torneiras para verificar vazamentos. Ducha higiênica costuma ser a campeã! Portanto, verifique se não tem nenhum “pinga-pinga” na duchinha que fica ao lado do vaso sanitário. E falando nele, verifique se estão bem vedados na base e bem parafusados. Dê algumas descargas para verificar se não há vazamentos. Além disso ser um problema pra você, futuramente será um problema para o seu vizinho do andar debaixo! Não esqueça do tanque da área de serviço. Observe a peça como um todo, procurando por trincas ou fissuras que possam existir.

Se o seu apê possui sacada, não deixe de verificar todos os itens citados acima, acrescentando nesse caso o guarda-corpo. Verifique a altura dele (mínimo de 1,50m) e se está bem fixado na alvenaria (se for o caso de um guarda-corpo metálico ou em vidro). Se atente para a pintura das peças metálicas para evitar pontos de corrosão no futuro.

E, por fim, não deixe de verificar o hall de uso comum do prédio e o funcionamento do elevador, se for o caso.

Com essas dicas em mãos você tem todas as condições de realizar a vistoria do seu imóvel sem correr o risco de passar apuros futuramente. Todos os defeitos encontrados devem ser relatados na presença do representante da construtora.

Em tempo: não deixe de ler o Manual do Proprietário! Este é o documento que vai garantir o bom uso do seu imóvel, evitando quebra de paredes estruturais, rompimento de tubulação ou mau funcionamento das instalações. Com o manual em mãos você sabe onde pode mexer e onde não deve colocar a mão!

E, claro, contrate sempre um arquiteto para fazer as adaptações necessárias no seu imóvel! O profissional é sempre a garantia da economia e segurança na sua obra.

P.S.: se você tiver interesse em receber gratuitamente o checklist em PDF para fazer a vistoria do seu imóvel, mande um e-mail para contato@taboca.arq.br com o assunto QUERO MEU CKECKLIST. E fique tranquilo! Não vamos encher sua caixa de mensagens com e-mails indesejáveis 🙂

Crise urbana e o coronavírus

(Texto postado originalmente no Facebook e adaptado para o blog)

Quase não me manifesto desta maneira nas redes sociais. Prefiro postar fotos de viagens, passeios, amigos e família. Questões mais polêmicas eu deixo para discutir no âmbito do trabalho e na sala de aula. Porém, devido ao isolamento social e portanto com um pouco mais de tempo, resolvi me arriscar nesta reflexão.

Quem já trabalhou ou trabalha comigo, ou foi/ainda é meu aluno na disciplina de Urbanismo – que em resumo trata-se do estudo das cidades – vai se lembrar que sempre trago à discussão estes temas: “Quais as principais diferenças entre as favelas e os condomínios? Qual a semelhança das cidades muradas da antiguidade com as da atualidade? E das epidemias existentes no início do século XX e a falta de saneamento básico nas cidades de hoje? E mais: as pessoas realmente moram em favelas por opção?

Também sempre faço referência à dura realidade tão bem retratada no rap, através de músicos como Criolo, Emicida, Gabriel O Pensador e O Rappa, que expressam através da arte a vida urbana periférica.

Com toda esta triste questão do coronavírus – já caracterizado como uma pandemia mundial – os fatos nos mostram que por mais que tenhamos muros dividindo a sociedade entre ricos e pobres, convênio médico particular ou SUS, no final das contas pouco importa. Não será suficiente esta divisão.

É evidente que em situações de alta vulnerabilidade, como em moradias precárias, nas quais seus moradores dormem um ao lado do outro, muitas vezes coabitando o mesmo cômodo, sem condição de isolamento e muitas vezes sem água e sabão para lavar as mãos (quem dirá dinheiro para comprar álcool em gel!), o problema é muito maior.

Porém a exclusão física não divide o meio ambiente, em seu sentido mais amplo. Assim, esta urbanização periférica que presenciamos, excludente e segregada, que vem ocorrendo em toda a América Latina e em países subdesenvolvidos de maneira geral, é um modelo que passou da hora de ser revisto e revertido.

Sabemos que não se resolve a curto prazo o que vem sendo detonado há muito tempo por um sistema capitalista exacerbado no qual o dinheiro vale mais que vidas, um sistema que já deu sinais de que o barco está furado e todos vamos afundar. Instrumentos legais, recursos, criatividade, tecnologia, vários são os caminhos para reverter essa lógica perversa, porém é necessário ação concreta principalmente por parte dos governos, antes que seja tarde demais.

Em tempo: os canais de comunicação só têm desgraça para mostrar, como o Fantástico ontem (29/03/2020), noticiando a realidade das favelas no Rio de Janeiro (que não são muito diferentes das nossas em São Paulo). Difícil é ter uma notícia boa como projetos de regularização fundiária nestes locais, urbanização de favelas, moradia digna e saneamento básico.

Favela no Rio de Janeiro
Favelas no Rio de Janeiro/RJ – Fonte: Jacqueline Emerich Souza

Sobre a autora

Silvia Morales é engenheira civil, graduada pela Escola de Engenharia de Piracicaba, especialista em Desenho e Gestão do Território Municipal pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUCC –Pontifícia Universidade Católica de Campinas e Mestre em Engenharia Urbana pelo Departamento de Engenharia Civil  da  UFSCAR – Universidade Federal de São Carlos. Trabalhou em diversas prefeituras do estado de São Paulo com planejamento urbano e habitacional. Atualmente é professora universitária e assessora legislativa na Câmara de Vereadores de Piracicaba/SP.

Contato: eng_silviamorales@hotmail.com

Praça Tåsinge – espaço urbano adaptado ao clima*

A Praça Tåsinge (do dinamarquês Tåsinge Plads) conta uma história sobre vizinhança, na qual a chuva é bem-vinda e onde a natureza urbana pode ser vista e sentida. É uma história sobre o ciclo lógico da água: a chuva cai e percorre o caminho mais fácil e o ponto mais baixo, infiltrando no solo ou evaporando no ar.

A vida urbana é igualmente lógica: somos atraídos por pessoas e por lugares que onde há vida e atividade. Ao mesmo tempo, somos atraídos por lugares que nos proporcionam paz de espírito.

A Praça Tåsinge combina soluções técnicas para o gerenciamento das águas da chuva com o desejo da comunidade por um oásis verde e locais de encontro. Ela é um espaço que combina a lógica dos seres humanos com o ciclo da água. Um novo ambiente que engloba vida social com o ritmo e a alma da cidade.

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Renovação Urbana conduzida pelo cidadão

A Praça Tåsinge foi criada como resultado do diálogo próximo entre os moradores do entorno. A abordagem envolveu mais do que apenas reuniões públicas. Por um lado, um grupo de moradores desempenhou um papel ativo em grupos da cidade e apresentaram seus desejos e ideias para o projeto. De outro lado, o processo vinha sendo caracterizado por pequenos e grandes projetos, dando à vizinhança a oportunidade de se tornarem próximos e conversarem sobre o potencial da praça.

Mercados de Natal, concertos, eventos teatrais e instalações luminosas por artistas locais colocou a Praça Tåsinge no mapa, muito tempo antes da praça ser construída.

Durante o Festival de Construção em 2013, mobiliários urbanos foram desenhados e construídos. Os mobiliários foram instalados na praça para testar os efeitos de tráfego, acessibilidade e atividades sociais.

“Bølgen” (A Onda), foi escolhido como o melhor mobiliário urbano e hoje está instalado na praça. Isso foi o resultado do desejo dos residentes locais como alternativa aos elementos comuns de playgrounds. “Bølgen” é uma obra de arte que serve como um elemento para o jogo e para a ação.

Um espaço verde de várias maneiras

A Praça Tåsinge tem se tornado literalmente mais verde. Mais de 1.000m² de asfalto da Rua Ourøgade foi transformado em uma grande área verde, que agora faz parte da praça. A nova praça também foi feita com materiais reciclados: 625m² de telhas de granito excedentes de Ørestad Boulevard, 600m² de pedras de pavimentação e 625m² de pedras de granito foram recicladas para calçadas e áreas de estar da praça.

Abaixo da praça, há dois abrigos subterrâneos (bunkers) que continuam a servir como salas de ensaio para músicos. Os acessos dos bunkers foram renovados e agora são utilizados como pequenos nichos de assento, enquanto uma nova escada a noroeste da praça serve como caminho para a encosta gramada para o Solskrænten (declive do sol).

Ícones de Copenhagen

O espaço é mobiliado com três distintos e amados ícones de Copenhagen: o poste de iluminação, o banco e a calçada de Copenhagen. Cada um desses três recursos ajuda a contextualizar a nova praça e torná-la parte da cidade velha.

Foram instaladas lâmpadas ao longo da fachada da Rua Ourøgade, iluminação ambiente nas áreas verdes e lâmpadas de economia de energia (LED) ao longo dos caminhos.

Nos locais em que a praça encontra os arredores, as novas calçadas facilmente se fundem com as antigas e fazem uma conexão da praça com o resto da cidade. A praça consegue se destacar ao mesmo tempo em que se encaixa no entorno.

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Vegetação

A natureza urbana veio pra ficar e isso é visto através do número de iniciativas verdes. A área elevada – Solskrænten – é mais seca, com predominância de árvores e gramíneas, enquanto a área mais baixa, a floresta tropical, apresenta uma vegetação densa e exuberante. É aqui que a praça ilustra a correlação entre água e crescimento. A Praça Tåsinge representa um corte transversal da zona rural da Dinamarca, com biotipos vegetais estendendo-se da encosta para a beira dos lagos.

Comida para pássaros e insetos e uma grande diversidade sazonal foram enfatizadas na seleção das plantas, o que permite uma experiência adicional e que poderá acomodar maior biodiversidade e natureza urbana mais selvagem a longo prazo.

Plantas que toleram uma variação maior de umidade foram selecionadas para a área mais baixa da praça. A seleção das plantas considerou também a relação com as condições do solo, a luz solar e sombra para que a vegetação tivesse as melhores condições possíveis de desenvolvimento.

Na praça e ao longo das ruas, carvalhos ingleses ou floração de cerejas selvagens foram plantadas em uma cama de gerânios, complementados com bulbos de florações da primavera. Durante o inverno, como é usado sal nas estradas, foram escolhidas ervas e gramíneas tolerantes ao sal para compor a vegetação ao longo das ruas.

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Fluxo de água

No espaço localizado no centro da praça, estão duas esculturas que esclarecem a presença da água: Rain parasols (guarda-sóis de chuva) e Water Drops (gotas de água.) Os guarda-sóis coletam a água proveniente da chuva e proporcionam abrigo. As gotas de água refletem o céu e seus arredores com sua superfície metálica brilhante, convidando as pessoas a tocá-las e a escalá-las.

Tåsing Plads by GHB Landscape Architect / Landskabsarkitekter. Taasinge Square - a green and sustainable landmark - handling of rainwater. Denmarks´ first climate resilient neighborhood.
Tåsing Plads by GHB Landscape Architect / Landskabsarkitekter. Taasinge Square – a green and sustainable landmark – handling of rainwater. Denmarks´ first climate resilient neighborhood.

As águas pluviais provenientes das superfícies dos telhados da vizinhança são coletadas e desviadas para tanques abaixo das grandes gotas de água, usando duas bombas manuais que são desenhadas como equipamentos do playground.

A água é bombeada para fora da gota maior, onde segue o fluxo pela superfície e termina num jardim de chuva (bacia de retenção). A água correndo da praça para o jardim de chuva encontra obstáculos no caminho, permitindo que as pessoas sigam o fluxo da água e dessa forma aprendam e brinquem ao mesmo tempo.

Grandes tanques foram instalados abaixo do solo para coletar a água da chuva. Isto garante que a água fique visível na praça e possa ser usada para brincar, bombeando água sob a água brilhante das gotas.

Água de chuva não é apenas água de chuva. A forma como podemos usá-la varia, dependendo se cai nos telhados ou nas estradas. A maior parte da água pluvial que cai na Praça Tåsinge é separada do sistema de esgoto. As águas provenientes dos telhados são desviadas para os reservatórios sob os “Raindrops”, de onde correm a partir da praça para a floresta tropical, infiltrando lentamente. A água da chuva que cai na praça vai correr naturalmente para os pontos mais baixos, onde também é infiltrada lentamente.

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Não é possível infiltrar a água proveniente da superfície das ruas para a área local, que pode estar contaminada e talvez contenha sal, afetando assim a água subterrânea. Portanto, a água da estrada flui na beira da estrada, onde a água se infiltra através de uma fina camada de filtro de terra. O filtro de terra filtra agentes contaminantes, como óleo, por exemplo.

Os vales das estradas contêm trincheiras de infiltração. A longo prazo as bordas das estradas estarão conectadas com as soluções das ruas da Praça Tåsinge. A partir daqui a água será transportada para o porto, e a concentração de sal na água não será um problema. No total, A Praça Tåsinge separa mais de 7.000 m² de águas pluviais dos esgotos.

Águas de chuva dos telhados usada para brincar

Quando a água da chuva atinge os telhados do entorno da Praça Tåsinge, a água é desviada através de tubos de drenagem e por baixo da praça para dentro de um grande reservatório (tanque). A água da chuva sofre múltiplos processos de purificação (giratório e UV) antes de atingir o tanque. Isso significa que é limpo o suficiente para ser usado para jogar água na praça.

A água pode ser bombeada do subterrâneo (tanque) pisando em uma placa de inclinação (bomba). Em tempos de chuva forte os tanques serão totalmente preenchidos. Quando isso acontecer, a água por força natural será elevada para a praça e fluirá para a bacia de retenção (jardins de chuva).

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Adaptação do clima

A Praça Tåsinge pode, portanto, receber grandes quantidades de águas de chuva. A cama de chuva será preenchida até 10% durante os eventos de chuva que ocorrem uma vez no ano. 30% durante eventos de chuva ocorrem uma vez a cada 25 anos e 40% em eventos de chuva que acontecem uma vez a cada 100 anos. A bacia de retenção da Praça Tåsinge também leva em conta precipitação extrema.

Em situações de chuvas torrenciais, que ocorrem a cada 500 anos, a bacia de retenção será totalmente preenchida. Em tal situação em que o volume de água ultrapassará a capacidade, a água da chuva correrá da Praça Tåsinge para a rua de alagamento Tåsingegade.

Uma vez que Tåsingegade é estabelecida como uma rua de alagamentos, a água será transportada para o esgoto de inundação em Østerbrogade e no porto.

Dados técnicos:

Projeto do escritório de renovação urbana KLIMAKVARTER (Copenhagen – Dinamarca)

* Este texto é uma tradução livre do caderno técnico “TÅSINGE
PLADS – A green oasis in the climate resilient neighbourhood. A place where rainwater sets the scene for play and social interaction”.

Tradução: Jacqueline Emerich.

Pra TABOCA, arquitetura é construção

Um bom projeto é o melhor caminho para você começar a sua obra, de acordo com as suas necessidades, do tamanho do seu bolso e, principalmente, para concluir o processo todo de uma maneira adequada, sem surpresas e com o menor risco para o seu investimento.

Quantas estórias já ouvimos de amigos que se arrependeram ou tiveram experiências não muito agradáveis com as suas obras? Precisa ser assim? Claro que não!

Portanto, nós não abrimos mão da participação ativa dos nossos clientes na elaboração do projeto, na avaliação das melhores alternativas para cada solução, na tomada das decisões. Porque cada decisão de projeto envolve tempo e recursos (e uma boa noite de sono também, não?).

Um metro pra cá, outro metro pra lá. Uma parede de tijolo, ou de bloco de concreto? Cobertura reta, curva ou plana? Cada solução influencia uma série de fatores que, caso não estejam muito bem articulados e definidos, implica numa obra cheia de dores de cabeça. E é isso tudo que a gente realmente não quer. E sabemos que você também não.

Esse é o nosso jeito de fazer arquitetura, de construir as nossas cidades. Sonhamos juntos, mas principalmente, realizamos juntos. Vamos nessa?

 

Sobre o autor

Alex Rosa é arquiteto e urbanista, graduado pela UNESP-Bauru/SP. Trabalhou com urbanização de favelas, projetos e acompanhamento de obras em Embu das Artes/SP. Foi secretário de Habitação e Urbanismo na Prefeitura Municipal de Limeira.

Que raios é TABOCA?

Vira e mexe nos perguntam o que significa TABOCA. De onde tiramos esse nome? O que ele representa?

Quando amadurecemos a ideia do escritório tínhamos claro em nossa mente: queríamos um nome bem brasileiro, que apontasse para as nossas origens.

Objetivamente, taboca é um termo em tupi-guarani para denominar uma espécie de bambu da amazônia brasileira, conhecido por sua beleza rústica, crescimento veloz e alta capacidade de produção. Só pela definição do dicionário já tínhamos motivos de sobra para escolher esse nome!

Mas a gente sabe que as coisas têm o significado que damos a elas. TABOCA é também um neologismo: TABA + OCA. Taba (aldeia) é a reunião das habitações indígenas (ocas), e habitação está no DNA da TABOCA.

Da pequena casa ao agrupamento de todas elas…. Não importa! A boa arquitetura é o que move a TABOCA.

Mais do que o tamanho da obra, estamos comprometidos com a dimensão dos sonhos de quem atendemos.

Agora que já sabe, fale conosco.

 

Sobre a autora

Jacqueline Emerich Souza é arquiteta e urbanista, graduada pela Universidade Federal de Mato Grosso. Em Cuiabá atuou em projetos residencias, comerciais, corporativos e institucionais. Trabalhou com urbanização de favelas em Embu das Artes e habitação de interesse social em Limeira. É cofundadora da TABOCA Arquitetura e Cidades.

A vida é feita de arquiteturas

A gente vive arquitetando o futuro do nosso trabalho, da família e dos relacionamentos. Mudar, construir e crescer são fundamentais para que a (r)evolução aconteça.

Embalados por anos de sonhos, a TABOCA nasceu e estamos felizes em compartilhar esse projeto com vocês. Somos um escritório atuando em Limeira, no interior paulista.

Acreditamos que arquitetura não é mercadoria, mas fruto de necessidades, e todos possuem as suas. Por isso, pra TABOCA, arquitetura é para todos.

Os desafios são vários. Que bom! Afinal, as dificuldades são grandes amigos dos arquitetos. Compartilharemos com vocês aqui e em nossas redes sociais – Facebook e Instagram – as soluções que produzimos.

Caso esteja arquitetando algo pra sua vida, não deixe de falar conosco.
Sobre a autora

Jacqueline Emerich Souza é arquiteta e urbanista, graduada pela Universidade Federal de Mato Grosso. Em Cuiabá atuou em projetos residencias, comerciais, corporativos e institucionais. Trabalhou com urbanização de favelas em Embu das Artes e habitação de interesse social em Limeira. É cofundadora da TABOCA Arquitetura e Cidades.