Comprei um apê… e agora?

Eis que um dia você está andando pelo shopping e um corretor de imóveis te aborda e oferece um apartamento na planta! Ou você para seu carro no sinal vermelho do semáforo e recebe um panfleto com condições imperdíveis para realizar o sonho da casa própria!

Essas são cenas familiares para uma boa parcela da população. A facilidade dos financiamentos imobiliários nos últimos anos incitou um boom no mercado da construção civil, especialmente no nicho de apartamentos de até 50m².

Aí chega a tão esperada hora! Depois de mais ou menos dois anos pagando fielmente as prestações, você é convidado (a) a fazer a vistoria do seu apartamento pra ter a merecida entrega das chaves.

Esse momento de alegria precisa ser conduzido com muita sobriedade, para que o sonho não vire um pesadelo. O primeiro contato com seu novo apê é justamente aquele em que o seu olhar tem que estar, mais do que nunca, voltado para TODOS os detalhes. Não dá pra ficar inebriado (a) a ponto de não se atentar para detalhes mínimos e perceptíveis durante a vistoria com o técnico da construtora.

Esse é o tipo de serviço que eu já prestei, mas hoje eu prefiro instruir meus leitores e seguidores para que eles mesmo possam fazer essa vistoria. Eu prefiro entrar apenas na fase do projeto, pra pensar o uso do espaço junto com a família que vai ocupar aquele lugar, adequando a necessidade à realidade, principalmente a financeira.

Bom, então vamos a algumas dicas para se atentar no momento da sua vistoria. Lembrando que o checklist serve não apenas para apartamentos novos, mas também para imóveis usados. Nestes casos alguns problemas são mais facilmente identificáveis, por se tratar de ocupação consolidada e que, portanto, expõe mais os problemas do imóvel.

Itens gerais a serem verificados:

– Infiltrações vindas dos vizinhos: em apartamentos novos este item não se aplica pelo simples fato de não ter ninguém morando no prédio! Apenas o uso cotidiano do apartamento vai dar indícios desse tipo de defeito. Mas em apartamentos já habitados, verifique sinais na laje de possíveis infiltrações ou vazamentos, especialmente nas áreas úmidas, como cozinha, área de serviço e banheiros. Em geral são manchas amareladas e que ocasionam o estufamento da pintura.

– Quadro de energia: verifique o posicionamento dos disjuntores, se estão bem encaixados e se correspondem aos circuitos indicados no Manual do Proprietário. Em apartamentos pequenos os circuitos costumam ser simplificados, sendo um disjuntor para o chuveiro, outro para o micro-ondas, um para circuito de iluminação e outro para tomadas de uso geral.

– Campainha e interfone: em muitos casos a energia do prédio ainda não estará ligada, então nem sempre é possível testar estes itens. Minha dica é que você faça esse apontamento na vistoria para que, futuramente, caso identifique algum problema, você esteja resguardado pelo fato de não ter sido possível realizar o teste.

– Registros de água: verificar todos os registros de água para identificar eventuais vazamentos. É sempre bom saber também a qual torneira ou conjuntos de torneiras o registro corresponde, caso preciso fazer manutenção no futuro ou até mesmo substituir as peças existentes por novos modelos.

– Garagem: se você ainda não descobriu onde é sua vaga de garagem, esse é o momento para conhecê-la! Principalmente para verificar eventuais interferências, como pilares, no caso de garagens situadas no subsolo ou sob pilotis.

– Medidas do imóvel: etapa fundamental! Parece loucura, não é? Pois saiba que eu já presenciei situações em que a medida da sacada estava 40cm menor que a prometida na planta. A depender da diferença encontrada, cabe recurso junto à construtora para ressarcimento de valores, uma vez que cada m² do seu apartamento é valioso. Embora o Código Civil preveja uma margem de tolerância de 5% para mais ou para menos, é o Código do Consumidor que vai regular essa relação de consumo, que nesse caso tende a beneficiar o comprador. Então leve uma trena para a sua vistoria e tire as medidas de cada ambiente (largura x comprimento) e faça a conferência com a planta que foi vendida pra você!

Itens a serem verificados em cada cômodo:

  1. Tomadas, interruptores e bocais.

Muito provavelmente você não vai conseguir testar os pontos de energia pelo mesmo motivo já indicado anteriormente. Mesmo em um apartamento usado que está sendo visitado para locação, por exemplo, via de regra a energia da unidade não estará ligada, uma vez que não tem ninguém morando. Mas você pode verificar se os pontos indicados em planta foram instalados corretamente, como número de tomadas em cada ambiente, ponto de antena de TV e telefone. E não se esqueça de deixar sempre documentado no laudo de vistoria que não foi possível testar a energia das tomadas e bocais das lâmpadas.

  1. Parede e teto

Nesses elementos é bom observar como está a qualidade da pintura (se for o caso) e também a planicidade da superfície. Um feixe de luz em mãos pode te ajudar a verificar como está o acabamento das paredes, e se há “barrigas” nelas, por exemplo. Já prestei consultoria para a decoração de uma sala em que o cliente ficou perturbado com as ondulações da parede quando instalou pontos de luz no teto. A iluminação direcionada mostra com mais intensidade os defeitos! Então leve sua lanterninha ou use essa função no seu smartphone.

  1. Portas e janelas

Abra e feche todas as portas e janelas, para garantir que estão correndo bem pelos trilhos (portas de correr e janelas), ou se não estão raspando no batente ou piso (portas de abrir). Teste as travas das janelas, as fechaduras e as maçanetas das portas. Verifique também o encaixe das guarnições, em muitos casos elas estão mal encaixadas ou não estão bem alinhadas. Verifique os vidros também para que nenhuma trinca ou mancha passem despercebidas.

  1. Pisos e revestimentos

Este é um dos itens que mais costuma dar mais dor de cabeça aos proprietários, pois, a depender do nível de qualidade da construtora, não será difícil encontrar pisos e azulejos ocos por baixo. A menos que você esteja certo de que vai trocar todo o piso do imóvel, siga à risca essas dicas: deixe a vergonha de lado e leve um cabo de vassoura para a sua vistoria! Isso mesmo! Teste piso por piso, batendo levemente sobre cada peça. Ao bater em um piso que está oco (portanto sem argamassa de assentamento), você vai saber distinguir sem muita dificuldade o defeito da peça. Leve um giz de cera pra marcar com um “x” sobre piso que precisa ser trocado.

O caimento do piso também é fundamental, especialmente nas áreas úmidas, como o banheiro, a cozinha e a área de serviço. Leve um galãozinho de água junto com você (de novo, repito, deixe a vergonha de lado) e jogue água nas áreas como o box do banheiro, para verificar se a água corre mesmo para o ralo. Não tem nada mais irritante que lavar o banheiro e a água escorrer para o sentido contrário, molhando a sala e os quartos.

  1. Louças e metais

Teste todas as torneiras para verificar vazamentos. Ducha higiênica costuma ser a campeã! Portanto, verifique se não tem nenhum “pinga-pinga” na duchinha que fica ao lado do vaso sanitário. E falando nele, verifique se estão bem vedados na base e bem parafusados. Dê algumas descargas para verificar se não há vazamentos. Além disso ser um problema pra você, futuramente será um problema para o seu vizinho do andar debaixo! Não esqueça do tanque da área de serviço. Observe a peça como um todo, procurando por trincas ou fissuras que possam existir.

Se o seu apê possui sacada, não deixe de verificar todos os itens citados acima, acrescentando nesse caso o guarda-corpo. Verifique a altura dele (mínimo de 1,50m) e se está bem fixado na alvenaria (se for o caso de um guarda-corpo metálico ou em vidro). Se atente para a pintura das peças metálicas para evitar pontos de corrosão no futuro.

E, por fim, não deixe de verificar o hall de uso comum do prédio e o funcionamento do elevador, se for o caso.

Com essas dicas em mãos você tem todas as condições de realizar a vistoria do seu imóvel sem correr o risco de passar apuros futuramente. Todos os defeitos encontrados devem ser relatados na presença do representante da construtora.

Em tempo: não deixe de ler o Manual do Proprietário! Este é o documento que vai garantir o bom uso do seu imóvel, evitando quebra de paredes estruturais, rompimento de tubulação ou mau funcionamento das instalações. Com o manual em mãos você sabe onde pode mexer e onde não deve colocar a mão!

E, claro, contrate sempre um arquiteto para fazer as adaptações necessárias no seu imóvel! O profissional é sempre a garantia da economia e segurança na sua obra.

P.S.: se você tiver interesse em receber gratuitamente o checklist em PDF para fazer a vistoria do seu imóvel, mande um e-mail para contato@taboca.arq.br com o assunto QUERO MEU CKECKLIST. E fique tranquilo! Não vamos encher sua caixa de mensagens com e-mails indesejáveis 🙂

Pra TABOCA, arquitetura é construção

Um bom projeto é o melhor caminho para você começar a sua obra, de acordo com as suas necessidades, do tamanho do seu bolso e, principalmente, para concluir o processo todo de uma maneira adequada, sem surpresas e com o menor risco para o seu investimento.

Quantas estórias já ouvimos de amigos que se arrependeram ou tiveram experiências não muito agradáveis com as suas obras? Precisa ser assim? Claro que não!

Portanto, nós não abrimos mão da participação ativa dos nossos clientes na elaboração do projeto, na avaliação das melhores alternativas para cada solução, na tomada das decisões. Porque cada decisão de projeto envolve tempo e recursos (e uma boa noite de sono também, não?).

Um metro pra cá, outro metro pra lá. Uma parede de tijolo, ou de bloco de concreto? Cobertura reta, curva ou plana? Cada solução influencia uma série de fatores que, caso não estejam muito bem articulados e definidos, implica numa obra cheia de dores de cabeça. E é isso tudo que a gente realmente não quer. E sabemos que você também não.

Esse é o nosso jeito de fazer arquitetura, de construir as nossas cidades. Sonhamos juntos, mas principalmente, realizamos juntos. Vamos nessa?

 

Sobre o autor

Alex Rosa é arquiteto e urbanista, graduado pela UNESP-Bauru/SP. Trabalhou com urbanização de favelas, projetos e acompanhamento de obras em Embu das Artes/SP. Foi secretário de Habitação e Urbanismo na Prefeitura Municipal de Limeira.

Que raios é TABOCA?

Vira e mexe nos perguntam o que significa TABOCA. De onde tiramos esse nome? O que ele representa?

Quando amadurecemos a ideia do escritório tínhamos claro em nossa mente: queríamos um nome bem brasileiro, que apontasse para as nossas origens.

Objetivamente, taboca é um termo em tupi-guarani para denominar uma espécie de bambu da amazônia brasileira, conhecido por sua beleza rústica, crescimento veloz e alta capacidade de produção. Só pela definição do dicionário já tínhamos motivos de sobra para escolher esse nome!

Mas a gente sabe que as coisas têm o significado que damos a elas. TABOCA é também um neologismo: TABA + OCA. Taba (aldeia) é a reunião das habitações indígenas (ocas), e habitação está no DNA da TABOCA.

Da pequena casa ao agrupamento de todas elas…. Não importa! A boa arquitetura é o que move a TABOCA.

Mais do que o tamanho da obra, estamos comprometidos com a dimensão dos sonhos de quem atendemos.

Agora que já sabe, fale conosco.

 

Sobre a autora

Jacqueline Emerich Souza é arquiteta e urbanista, graduada pela Universidade Federal de Mato Grosso. Em Cuiabá atuou em projetos residencias, comerciais, corporativos e institucionais. Trabalhou com urbanização de favelas em Embu das Artes e habitação de interesse social em Limeira. É cofundadora da TABOCA Arquitetura e Cidades.

A vida é feita de arquiteturas

A gente vive arquitetando o futuro do nosso trabalho, da família e dos relacionamentos. Mudar, construir e crescer são fundamentais para que a (r)evolução aconteça.

Embalados por anos de sonhos, a TABOCA nasceu e estamos felizes em compartilhar esse projeto com vocês. Somos um escritório atuando em Limeira, no interior paulista.

Acreditamos que arquitetura não é mercadoria, mas fruto de necessidades, e todos possuem as suas. Por isso, pra TABOCA, arquitetura é para todos.

Os desafios são vários. Que bom! Afinal, as dificuldades são grandes amigos dos arquitetos. Compartilharemos com vocês aqui e em nossas redes sociais – Facebook e Instagram – as soluções que produzimos.

Caso esteja arquitetando algo pra sua vida, não deixe de falar conosco.
Sobre a autora

Jacqueline Emerich Souza é arquiteta e urbanista, graduada pela Universidade Federal de Mato Grosso. Em Cuiabá atuou em projetos residencias, comerciais, corporativos e institucionais. Trabalhou com urbanização de favelas em Embu das Artes e habitação de interesse social em Limeira. É cofundadora da TABOCA Arquitetura e Cidades.